19 agosto, 2006
18 agosto, 2006
Incrível
Como a minha irmã consegue ser ainda mais irritante quando fica gripada?
É um mistério.
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Dani
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19:38
15 agosto, 2006
(telefone)
- Ok, então... marcado pro dia 22?
- Isso mesmo, senhora.
- E qual é o endereço?
- Fica na rua Céu Sarmento, senhora.
- Céu? Ahhhhh, sim... "Cel". Na Coronel Sarmento...
- Não, senhora... NA RUA CÉU SARMENTO! C-É-U.
- ...
- Entendeu, senhora?
- (querendo ser solícita e impedir que ela continue fazendo papel de mula na frente dos outros) É que tá errado... "cel" é abreviatura de "coronel", deve ter sid...
- Não consta no sistema, senhora. Aqui diz "CÉU Sarmento".
E desligou na minha cara.
Meu professor tava certo... A mãe dos imbecis tá sempre grávida.
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Dani
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08:49
18 julho, 2006
O ponto final
Hoje eu chorei e chorei muito. Chorei de um jeito que nunca tinha chorado antes. Chorei lágrimas quentes, intermináveis. Aquele choro que despedaça a alma de tanto doer. De tanto chorar, corri para o banheiro achando que ia vomitar. Vomitar de tanto chorar. Nunca imaginei que fosse possível. Olhei de relance para o espelho e vi uma menina de roupão laranja com os olhos vermelhos e a boca muito, muito mais vermelha. Era como se as palavras ácidas que há pouco saíram dali tivessem deixado suas marcas: Queimaram os ouvidos de quem ouviu e, pra não serem esquecidas tão cedo, queimaram os lábios de quem as disse. Foi ali que a menina do roupão laranja percebeu que existe sim a forma certa de se gostar de alguém. E a forma certa dela “ser gostada” era a forma dele. A forma como ela sempre quis “ser gostada” era a forma dele gostar dela. Chorou ainda mais quando lembrou que tudo de bom que a vida tinha dado pra ela naqueles meses tinha a forma bonita dele e o som limpo da risada dele. Não, não existe isso de gostar de alguém e não querer ficar junto. Então ela voltou e ele continuava esperando por ela. E naquele momento, o coração dela se expandiu e toda a paixão do mundo coube ali dentro. Toda a saudade do mundo coube ali dentro. E toda a certeza do mundo desabou sobre ela: Era ele e ponto final. Ponto final. Meu ponto final. E todas as lágrimas que ela chorou por outros secou de vez e virou nuvem que choveu, que virou rio, que levou pra longe qualquer lembrança daqueles que fingiram ser ele pelo tempo que durou. Porque sempre faltou alguma coisa nessas relações de engano. Sempre faltou alguma coisa que a fizesse querer acampar na praia, aprender a andar de bicicleta, aprender a nadar direito e a acertar de jeito o ladrão. Sempre faltou alguma coisa nessas relações que a fizesse admitir que a Hello Kitty é fofa, que o sul é o seu lar, que ela ignora o que há embaixo da cama quando está escuro e que ela tem um medo estranho da sombra de tristeza que existe por trás dos olhos dela. Faltava nessas relações um pouco de verdade, de dor, de aprendizado, de leveza, um pouco de luz. Faltava a certeza de se saber única. Faltava alguma coisa que a fizesse acreditar. Faltava ele. E agora já não falta mais nada.
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Dani
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07:38
17 julho, 2006
"Fração" (ou "Como o denominador sempre acaba mal na história")
"Non, rien de rien, non, je ne regrette rien,
Ni le bien qu'on m'a fait, ni le mal, tout ça m'est bien égal.
Non, rien de rien, non, je ne regrette rien,
C'est payé, balayé, oublié, - je me fous du passé."
E eu ali. Precisando ouvir, precisando saber. Ter certeza de alguma coisa, ao menos, já que estava tudo indo pelo ralo e eu não podia fazer nada pra impedir. Ele respira fundo e, pra me fazer ficar, diz a coisa mais errada do mundo na hora mais errada do mundo. Então, com o gosto azedo da esmola na boca, eu mesma abro o ralo, pra apressar o fim e deixar escorrer pra longe. Pra muito, muito longe. Pra não voltar nunca mais. Mas esqueci que essas coisas sempre voltam, nem que sejam na forma de um fantasma sem noção de conveniência. E de lá, para onde eu o esconjurei, ele dá mostras de que ainda não me esqueceu e que pode voltar, sim. A qualquer momento. Nem que seja pra me fazer lembrar que eu posso mudar muito, mas ainda assim continuaria sendo a mesma. E que eu esteja preparada, ele ameaçou antes de ir.
"Non, rien de rien, non, je ne regrette rien,
Ni le bien qu'on m'a fait, ni le mal, tout ça m'est bien égal.
Non, rien de rien, non, je ne regrette rien,
Car ma vie, car mes joies, aujourd'hui -
Ça commence avec toi."
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Dani
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21:36
14 julho, 2006
Voldemorts Literários
Estava lendo o fórum de uma comunidade do Orkut que discutia sobre ler ou não ler Harry Potter. Claro que a questão dá pano pra manga e, entre xingamentos (48%), argumentos toscos (50%) e argumentos coerentes (2%), um comentário sensato chamou a minha atenção. Transcrevo exatamente como está lá:
"Comecei a ler a série Harry Potter aos 8 anos (hoje tenho 13). Após ler o primeiro livro da série, me tornei um fã de carteirinha. Até hoje,quando cada novo volume chega às livrarias, não perco meu tempo. Sempre gostei muito de ler,e isto se acentuou bastante após me interessar pela série. Muitas pessoas alegam que Harry Potter não acrescenta em nada e não aumenta o interesse pelos livros. Eu como prova viva posso dizer que é exatamente o contrário!!!E minha dica não podia ser outra:LEIAM HARRY POTTER!!"
Pronto. Discussão encerrada! Suspendam a vinda da SuperNanny e do Içami Tiba! E não só porque o menino usou como argumento a sua própria experiência de leitor, mas porque estava ali representando todas as crianças que lotam as livrarias pra comprar os livros do Harry Potter. As mesmas crianças que fazem fila aqui em Porto Alegre pra comprar um tênis com rodinha (*Já viram? Eu não. Se tem rodas, tô fora*). Por quê? Oras! Porque ambos são divertidos pra elas! Daí aparecem os pseudo-intelectuais, esses que gostam de usar expressões como "lixo literário", aqueles que cultuam dois ou três livros superestimados por outros pseudo-intelectuais, defendendo teses psicopedagógicas (*adoro prefixos, perceberam?*) sobre um livro que, no final das contas, tem a mesma intenção de todos os outros (ENTRETER!!) e, ainda por cima, trouxe à baila uma geração de leitores com menos de 10 anos que nem se importa em ler um livro de 700 páginas sem figuras quando todo mundo sabe quais são as primeiras perguntas dos alunos quando um professor manda ler um livro pra escola:
- Quantas páginas?
- Tem figuras?
- Qual o tamanho das letras?
E a pergunta secreta, que fica só no pensamento:
- Será que eu encontro facinho um resumo na internet?
Os que dizem que Harry Potter não é "literatura de qualidade" (*rótulos, rótulos... sempre eles*) me fazem lembrar da bruxa da minha professora da terceira série que disse que o fato de eu gostar de ler gibis da turma da Mônica me faria escrever errado, falar que nem o Cebolinha e mais (*sim, ela tinha uma perspectiva negra a meu respeito*): "Argh. Vai ser uma leitora medíocre, com certeza". O tempo passou e os gibis que continuaram se multiplicando lá em casa, se transformaram em livros da Ruth Rocha, Monteiro Lobato, Machado de Assis, Dickens... E acredito numa coisa que a minha professora (*e personal bruxa, devo acrescentar*) ignorava: Não existe história que não valha a pena no mundo dos livros. Um leitor só nasce através do prazer e da curiosidade literária, tanto faz a forma como são despertados.
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Dani
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10:07
12 julho, 2006
Batismo
E oito meses depois de ter criado esse blog eis que PERCO um post enoooorme antes de salvar. Realmente é coisa pra se dizer um punhado de %¨$$# e ¢£¬%%. Muito chato, mesmo...
Perguntinha
1. Onde estão as suas listas telêfonicas de 2001, 2003 e 2004?
As minhas estão aqui embaixo do monitor. Ele está aaaalto e eu tô achando o máximo! Escrivaninha ergométrica, né seu vendedor? Sei.
Vaticano
A Igreja é uma entidade forte, tem muito poder ainda e conspirações ligadas a ela dão o que falar. Absurdas ou não. Mas andei lendo umas coisinhas por aí que não são nada absurdas e assustam mesmo. De fato, $ a rodo, poder e más companhias sempre dão problema. Juntos então...
Nublada, cinzenta, gris...
A cléo é uma cachorrinha branca muito feliz. Em primeiro lugar recebe muito carinho e tem um menino loiro de 1 aninho que é louco por ela. Em segundo, tem um quintal à disposição para correr e latir bobamente pro gato do vizinho durante o dia e uma cama quentinha pra descansar da correria durante a noite. Do quintal, ela não sai, então qual não foi a nossa surpresa quando ela apareceu pra dormir... CINZA! Sim, completamente CINZA! Não sei onde ela foi e/ou o que fez pra ficar com essa cor, mas amanhã vai rolar um banho daqueles.
Presentinho
No próximo semestre, volto a estudar à noite e vou precisar voltar pra casa com a linha TM3. Aqui está a minha sugestão de presente pra quem precisa se aventurar nela. Já precisei de um desses pelo menos umas quatro vezes ao voltar da faculdade nesse ônibus. Ah, se não tiver o aparelho de choque manual, serve esse aqui mesmo. A vantagem dele é que parece um guarda-chuva fechado, enquanto o outro parece uma máquina de cortar cabelo...
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Dani
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17:35
08 julho, 2006
Verdinhas, perfumadas e saborosas
"O manjericão, por exemplo, gosta até de gritaria. Na França, o costume popular ensina que essa planta perfumada só cresce viçosa quando a semeadura é feita acompanhada de xingamentos e palavrões (...) O manjericão nasce e cresce com facilidade até num vaso de flores da sacada, sem necessidade de palavrões. Ele quer apenas atenção."
"O alecrim, outra estrela de uma horta, é bom contra o reumatismo e a depressão nervosa. O vinagre com alecrim restabelece o PH natural do cabelo e da pele. E os molhos ganham aroma especial com uma pitada de alecrim fresco. Seu cultivo também é fácil, até num vaso na sacada.
O alecrim é bom confidente. E tem poderes mágicos, acredite. Converse com ele sobre suas desventuras amorosas. É a erva da juventude eterna, do amor, da amizade e da alegria de viver. Os antigos diziam que um ramo de alecrim embaixo do travesseiro afastava os maus sonhos e, no passado, os jovens carregavam sempre um ramo nas mãos, para tocar com ele na pessoa amada e ter seu amor para sempre. Vale a pena ter uma horta. No mínimo, para recuperar um pouco dessas ilusões perdidas."
Anonymus Gourmet
.....................
Adoro cozinhar usando ervas. Massas, lasanhas, até omelete e bolo de fubá. O molho béchamel que eu faço nunca seria um molho tão bom se não fosse o raminho de alecrim fresco e a sálvia, assim como um macarrão com molho de tomate nunca vai ser um bom macarrão com molho de tomate se não tiver umas folhinhas de manjericão. Pra mim é fundamental. Alguém imagina pizza sem orégano? Comida tailandesa ou indiana sem açafrão? Pois é. Eu também não. É o que dá a identidade de cada prato, o que faz a diferença. E são lindas! Já viram um pezinho de pimenta dedo-de-moça? Estão vendendo até em floriculturas de tão lindo que é... Além do mais, cozinhar com ervas é uma declaração de carinho: O cozinheiro adepto geralmente planta as próprias mudinhas, cuida todo dia, escolhe a erva que mais combina com o prato a ser feito, colhe o raminho, brinca com as infinitas nuances que um prato perfumado oferece. E sim, - como o Anonymus Gourmet disse ali em cima - temperar um prato com ervas tem uma certa dose de magia.
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Dani
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12:41
06 julho, 2006
Hecatombe
Balança financeira em pandarecos + mau humor potencializado + torcicolo
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Dani
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19:07
Mau humor reinante - Keep Distance
Duas da manhã. Noite péssima: Dor de garganta, pesadelo e falta de sono causada pelas duas únicas coisas no mundo que não me deixam dormir em paz com os anjinhos e tal: pés gelados e preocupação. Levanto, ligo o computador e tenho a confirmação total de que o msn tá muito envolvido com missão de ferrar com a minha vida. Chamo a cléo pra me aturar, mas ela não parece muito a fim de papo e olha pra mim com as patas cruzadas (!!!). Caramba, eu devo estar uma chata de galocha e capa de chuva pra minha cachorra olhar pra mim com cara de "Ai, cresce!" e cruzar as patas (!!!!!). Sabe o que mais? Vou ler o meu livrinho bobo aqui, bem deitadinha na cama que me expulsou. E vou dormir até tarde, isso se o sobrinho não me acordar porque quer ver desenho (leia-se dormir assistindo Moranguinho na tv).
Ah, sim. São 03:46h agora.
E, muito provavelmente, não estarei um primor de gentileza amanhã...
Pena que não passa nesse horário...
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Dani
às
03:48
04 julho, 2006
I will read for food (e tô falando sério!)
A Morte da Sra. MCginty - Agatha Christie
A Boda do Poeta - Antonio Skarmeta
Filha da Tempestade - Bernard Cornwell
Clube da Luta - Chuck Palahnuik
O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams
A Metamorfose - Franz Kafka
A Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada - Gabriel García Márquez
Viver para Contá-la - Gabriel García Márquez
Eva Luna - Isabel Allende
Cinco Quartos da Laranja - Joanne Harris
Praia Roubada - Joanne Harris
Em Nome do Vento - Marcio Sgreccia
O Caderno de Noah - Nicholas Sparks
O Homem que Confundiu Sua Mulher com Um Chapéu - Oliver Sacks (esse já vale só pelo título!)
Tudo o Que Resta - Patricia D. Cornwell
Vou ler um por um e depois eu conto aqui quais os que valem a pena de verdade, na minha modestíssima opinião. Ah! O primeiro vai ser "Cinco Quartos da Laranja", da Joanne Harris. Pra quem não sabe, ela é a autora do livro em que foi baseado aquele filme com a Juliete Binoche e o Johnny edward-mãos-de-tesoura Depp, "Chocolate".
.........................
Sabe quando você pára, olha para o infinito e pensa: "Poxa, ISSO é um Orgasmo Literário" ? Pois é. Foi q u a s e isso. Mas não foi dessa vez, não. Orgasmo litérario de verdade só quando a Vai e Volta falir e vender todo o acervo a R$1,00, né Pi?
Mais informações somente para os inciados!! :P
See you!
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Dani
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23:21
22 junho, 2006
Recebi hoje:
Vinte e dois de junho
Hoje é 22 de junho, sim... Sempre quando essa data se aproxima, começo a ter comichões buscando em mente o que está por vir... A Páscoa se foi, o Descobrimento do Brasil é em abril, o aniversário do Bono é em maio. Hmmm, junho é o mês dos cancerianos?! Poxa vida. Vinte e dois! E de junho! É mesmo...
A data me remete a uma pessoa que conheço há algum tempo já. Alguém com quem, nos tempos de escola, passava o recreio na biblioteca, procurando livros divertidos. Uma companheira com a qual podia passar vários minutos sentada em silêncio, e ao levantar sentia como se tivera a mais profunda das conversas.
Escrever algo original e interessante para uma amiga especial, sobre um dia especial, pode ser um tanto complicado. Ainda mais quando essa pessoa é o “Aham... É assim mesmo” na hora exata, o empurrãozinho de motivação e a lente de aumento com o poder de mostrar as letrinhas miúdas de um contrato furado... Tudo ao mesmo tempo (!). O fato de a mesma ser inteligente e possuidora de um humor tão fino e suave como os temperinhos que inventa para suas saladas vegetarianas também não facilita o trabalho.
Cheguei a pensar, como solução, naqueles famosos cartões de aniversário do Garfield, com piadinhas sobre o fato de estarmos ficando mais velhos, ou não termos dinheiro suficiente para comprar um presente. São engraçadinhos... Mas bem manjados. No entanto, não mais repetitivos que as mensagens de agradecimento pelo prazer por mais um ano de convívio, etc, etc, etc. Os desenhos que acompanham essas últimas até que são simpáticos. Ok, desisto.
Um es-cri-tor fa-mo-so. Sim! Elejamos meu salvador: vejamos, García Márquez? O cara é legal, mas já estaremos em setembro quando (e se) conseguir falar com ele... Neruda? Morto. Machadão? Morto. Herman Hesse? Morto. Wilde? Morto. Hmmm. Preciso de um copo. Vou recorrer a um defunto mesmo.
Apesar do desconforto ao vislumbrar o possível sucesso de minha empreitada, arrisquei um tête-à-tête transcendental com Shakespeare. Seria uma boa dedicar um texto inédito do dramaturgo defunto inglês a minha amiga. Toalha branquinha limpa na mesa, algumas velas, muita concentração. “Out, out, brief candle...”. No way. “Full of sound and fury”? Nem sinal.
Enfim... Frente ao meu perceptível fracasso, cheguei à conclusão que realmente teria que apelar a algo de minha autoria. Difícil ter sucesso ao ambicionar fugir de lugares-comuns.
Tecer comentários a respeito do poder cativante, da segurança - talvez transmitida de forma imperceptível por minha amiga - e não parecer clichê é quase impossível. Que o diga discorrer sobre sua determinação (a qual chega a despertar uma pontinha de inveja) ou, então, sobre a grande força que convive com a leveza de sua sensibilidade.
Percebem minha agonia ao tentar transpor ao mundo das palavras e coisas tangíveis a unicidade e a relevância dessa criatura? Talvez uma frase possa ser mais eficaz... Precisaria de algo realmente fantástico, impactante, objetivo, que imprimisse toda magnitude da questão desenvolvida em minha mente. Estou sentindo, na ponta dos dedos... Hmmm. Acho que é isso mesmo...
FELIZ ANIVERSÁRIO, Amiga!
..................................
É ou não é fácil, fácil ter um feliz aniversário desse jeito?
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Dani
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18:24
21 junho, 2006
Post da Pi!
Sobre o meu lado maligno (by Pi)
Já fui questionada várias vezes sobre a existência e conhecimento das ações advindas de meu lado maligno (a partir de hoje: LM). Ainda não sei se ele existe realmente. Se bem que, de tanto falar nele e na sua inatividade, capaz mesmo de estar escondido em algum lugar. Nunca se sabe o poder das evocações feitas em pensamento.
Em entrevista exclusiva concedida ao CD (Coisa da Dani), o especialista em Forças Ainda não Desenvolvidas da Universidade de Bucareste, Kriev Bigart, declara que a ativação primordial de energia maligna acumulada pode resultar no surgimento de um ambiente com campo gravitacional extremamente poderoso. “Seria como se um mini-buraco negro se formasse... Um fenômeno deveras atípico”, explica Bigart, que conclui: “Não gostaria de ser a pessoa perto da Pi num momento desses (risos)”.
Alguns teóricos* acreditam que LM seja como o Etna, repleto de lava borbulhante e incandescente, prestes a destruir um pedaço bonitinho da Itália. É de se considerar que, para acabar com essa dúvida, o ideal seria me tornar totalmente maligna, mandando caras idiotas à ponte que partiu, chamando-os de filho da fruta ou, ainda, socando mentirosos até verterem sangue. Essa última alternativa me levaria a usar roupas mais escuras, afinal de contas, pessoas malignas não podem andar por aí com manchas de sangue aparentes... E encher Zés Manés de chutes, jebs, cruzados e pontapés parece ser, no mínimo, terapêutico.
Elucubrações de correntes de estudos mais aprofundados** reivindicam as demonstrações de paciência, cordialidade e tolerância como verdadeiras prováveis ações do LM. Uma forma de espremer os miolos de quem não merece consideração alguma ao fazê-los pensar: poxa vida, como ela consegue ser tão gente fina? Ponderações assaz pertinentes.
Estudos sobre a forma de ativar o LM, no entanto, ainda estão sendo desenvolvidos. Uma equipe (composta por 16 especialistas em Potencial Maléfico, 9 Ph.Ds em História do Poder Maligno, 5 físicos quânticos e 3 bombeiros) trabalha na elaboração de um tratado acerca dos possíveis fatores desencadeadores de ações malignas. Segundo o responsável pelo projeto, Manfred Kolovski (do Centro de Atividades Perversas de New Hampshire), a conclusão da pesquisa é prevista para agosto de 2007. “Depois da edição do tratado, será divulgada na internet uma lista das TOP 10 situations de ativação do LM”, adianta Kolovski. É esperar para ver.
*Para mais informações sobre o assunto, veja Edwin Wiggen Ph.D. (Quem mexeu no meu lado maligno) e F.J. Presscot (Descubra seu lado maligno em cinco minutos – manual revisto e ampliado).
** Grupo de Análise de Situações Extremas (GASE), liderado pelo filósofo tcheco Kidween Martin (Assim como são as pessoas são as criaturas – edição esgotada)
Legenda:
Teoria de Bigart
Acompanhe no infográfico tosco, abaixo, a Teoria de Bigart sobre a ativação primordial do Lado Maligno.
(1) antes do LM
(2)momento de ativação do LM ou momento “Salve-se quem puder!”
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Dani
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21:45
19 junho, 2006
Influenza
Percebi que é quase impossível não escrever sobre uma coisa que te adubou de alguma forma e, por isso, está sempre ali. Não no sentido de tomar conta, mas de você ter certeza de que aquela é uma parte da sua vida que fez diferença pra você, que te tornou uma pessoa diferente. Foi o que houve: Eu me vi morrer pra alguém. Eu me vi agonizar, ter aquela melhora súbita que sempre acomete o que está nas últimas e, por fim, morrer. Eu deveria ter entendido, mas esse foi o dia em que a minha tão elogiada percepção do outro estava mais ocupada em fechar o primeiro botão da blusa que tinha aberto, encostar a mão no vidro da janela pra saber se o sol estava tão quente assim e tentar remediar o estrago das unhas pintadas de vermelho escuro. Justo eu que nunca pintei as unhas de vermelho escuro sem um bom motivo. Engraçado lembrar que foram aquelas unhas vermelhas que me fizeram chegar ali: Só pra morrer nos olhos de alguém. Em silêncio. Tentando negar.
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Dani
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20:05
13 junho, 2006
História sobre histórias (com direito a bruxa e final feliz)
Ensino fundamental, médio, faculdade, cursos... Foram vários professores. Nenhum como aquela. Era 1993, eu estava na terceira série do primário e não tinha um dia sequer em que um coleguinha não caísse no choro por causa dela. Uma bruxa mesmo. Então, daqui por diante, ela será chamada de Bruxa. Toda semana tinha a "Hora da Biblioteca" e a Bruxa nos levava até lá para escolher um livro e levá-lo pra casa durante uma semana. Frustrante. Primeiro porque era UMA LONGA SEMANA pra quem lia o livrinho em minutos e segundo porque a Bruxa tinha surtos se um aluno mais curioso intelectualmente lançasse olhares cobiçosos para a prateleira onde estavam os livros "dos grandes": Coleção Vagalume, aqueles livros fan-tás-ti-cos do Pedro Bandeira, Ilha do Tesouro, etc... A Bruxa gritava, sacudia os braços, ficava roxa:
- Não, fulano! É aqui! Já disse que é aqui!!!! Eu não disse?!
E lá ia o menino se contentar com a vigésima oitava versão do Patinho Feio, Chapeuzinho Vermelho e afins. Aquilo me revoltava porque obviamente eu era uma daquelas que ficava namorando os livros maiores. Não tenho idéia de quantos alunos ela conseguiu desestimular qualquer hábito de leitura, mas a minha teimosia venceu e cativou uma aliada: A bibliotecária que me ajudava a contrabandear livros "dos grandes" pra casa. Ela escolhia o livro e me entregava escondida no final da aula. O contrabando bem embaixo do nariz da professora durou quase todo o ano, até o dia em que caí na asneira de abrir a mochila enquanto a Bruxa estava por perto. Mais eficiente do que o radar dos morcegos ela girou e deu de cara com algum exemplar da coleção vagalume. Arrancou o livro da minha mochila, pegou o meu braço e saiu me arrastando pelo corredor até a coordenação. Furiosa, chegava a bufar. Olhava pra mim (e até hoje me lembro daquele olhar de louca varrida):
- Tu vai ver o que a professora Oseni vai fazer com quem ROUBA assim!
Abriu a sala da coordenação, me empurrou pra cadeira bem na frente da coordenadora.
- Ela ROUBOU o livro, professora Oseni! ROUBOU!
Gelei até a medula. Sentia que ia chorar a qualquer momento.
A professora Oseni olhou pra mim com toda a calma. Hoje desconfio que ela já estava acostumada com os achaques da Bruxa.
- O que aconteceu, Daniela? Pegaste esse livro na biblioteca?
- Peguei.
- Escondida?
- É...
- Sabe que é feio e errado fazer esse tipo de coisa, não sabe?
Pediu pra professora sair e me olhou em silêncio (também me lembro desse olhar até hoje. Atento, carinhoso, tranqüilo. Podia ter me feito cair no choro também, mas pelo contrário, me devolveu a confiança).
- Mas tu não roubaste, né?
- Não.
- E por que pegaste?
- A moça da biblioteca me empresta. Eu já li todos os livros menores. Quero ler outros agora...
- Gosta de ler?
- Gosto.
- Sabe, eu li aquela história da panela que você escreveu. A da panela, a do ladrão da lua, a da menina que encontra a pedrinha brilhante...
Sorri.
- Gostei muito, sabia?
- Obrigada.
- Então a gente vai fazer o seguinte...
Pegou uma folha de papel, escreveu alguma coisa e carimbou. Ela sorria.
- Aqui, ó... Isso é uma autorização que você vai entregar pra professora. Com ela você vai poder pegar qualquer livro da biblioteca que quiser.
Peguei a folha, agradeci e voltei pra sala. Entreguei a autorização pra Bruxa que me olhou de uma forma com que fui olhada algumas outras vezes nesses treze anos. Aquele olhar que tem intenção de assustar quando se sabe que é inútil tentar outra coisa. Mas não me assustou. E não me assusta até hoje. Sentei e me apressei em copiar o texto que ela tinha passado no quadro. Logo seria a "Hora da Biblioteca" e tinha muita coisa legal por lá.
A professora Oseni não foi a primeira nem a última pessoa que me estimulou a ler, mas junto com a bibliotecária e a minha vizinha de andar no prédio onde morei, foi a mais importante. E hoje percebo o quanto isso é necessário pra qualquer um. Meu sobrinho, por exemplo, fez um ano ontem e já tem uma coleção de mais de vinte livrinhos (Ainda quero dar pra ele de presente um exemplar do "Soprinho"). Se diverte com eles como se fossem brinquedos. E que seja assim. Que rasgue, folheie, desenhe neles, como eu fiz. Que se familiarize com as letras, páginas, com o cheirinho fantástico de livro novo e de livro velho, como eu fiz. E que ele tenha acesso a eles, que ele seja criado pra ser um leitor. E que todas as crianças (e adultos também) tenham ao menos uma pessoa pra estimular esse hábito. Como eu tive.
E quanto à Bruxa? Bom, o ano terminou e ela desapareceu do colégio. Vi ela novamente há uns meses atrás quando estava levando a minha prima na Feira do Livro de Porto Alegre. Me olhou nos olhos e não sorriu. Encarei de volta. Sorrindo. Se ela lembra de mim? Não sei. Talvez lembre da menina contrabandista de livros ou talvez da menina que, em outra ocasião, fingiu muito bem um estouro dos tímpanos ao ouvir os berros dela, deixando a mulher horrorizada, pálida e com os olhos do tamanho de pires.
De qualquer forma, devem ser ótimas lembranças. Pra mim são ;)
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Dani
às
00:24
12 junho, 2006
09 junho, 2006
O tal do 666
Entra o aluno na sala. Flip-flops do tipo D pra cá, álgebra booleana pra lá. De repente ele diz:
- Dizem que o mundo vai acabar na terça-feira...
Respondo sem levantar os olhos da apostila:
- Poxa, de novo?
Sim, esse é o meu nível de crença em profecias desse tipo. Ou seja lá como prefiram chamar. Não venham me dizer que uma coincidência numérica vai dar vida a todos os horrores do mundo (como se tivesse data marcada e toda certinha pra isso) e o carinha com o tritão (o diabo, não o pai da Pequena Sereia) vai olhar pro calendário e dizer:
- Rá! 6 de 6 de 2006! É hoje!
Pelas folhinhas verdes do meu manjericão florido! Muita coisa pra mim... Fora que esse 06/06/2006 não tá valendo. Ou será que só eu vejo o 2 ali empatando? E se quiserem conjunção numérica cheia de coincidência com um 2 de gaiato pra atrapalhar, eu sugiro essa:
Exatamente à uma hora, dois minutos e três segundos do dia quatro de maio de 2006 tínhamos o seguinte: 01h02min03s 04/05/06. Não é bem mais legal? Ou na ordem decrescente: 06h05min04s 03/02/01, ou... Tá, acho que já me fiz entender...
De qualquer forma, sou mais meu vô que, sempre quando ouvia uma baboseira dessas, dizia:
- HAHAHAHA! O mundo acaba todo dia pra quem morre E SÓ!
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Dani
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18:35
08 junho, 2006
Contribuição da interina
Essa semana aprendi que das incertezas acaba brotando alguma coisa. Não sei bem o que, mas enfim. Aprendi, também, que existem pessoas infelizes por pensar demais e não agir. E seres frustrados por agir demais e não pensar.
Enquanto Madame Bovary fica no porão dos "livros com personagens que me irritam" e não encontro uma leitura mais fresca, alterno momentos de extrema apatia com outros de uma pequena obsessão por socar pessoas imaginárias, tendo consciência da existência dos meus deltóides. Algo que vem, inclusive, afetando o meu poder de concluir sinapses, considerando que reescrevi obsessão umas três vezes, das mais diferentes formas.
Dando início à série "descobertas culinárias", encontrei na geladeira, dia desses, um goiachup. Nada mais que uma calda de goiaba embalada em um frasco de catchup. Consumida com ricota, numa versão anoréxica do Romeu e Julieta, fica bem interessante. Lembrei agora da época em que tentava descobrir um parentesco entre pepinos e melancias.
Ambos são verdes, têm uma parte branca que parece ser maligna (jamais me deixaram comê-la) e são pura água. Na verdade, nunca fui persistente o bastante para ir até a estante e checar a pertinência disso em uma enciclopédia Larrouse. Quem sabe algum dia...
Pensar demais cansa.
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Dani
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00:04
06 junho, 2006
(Cheiro de coisa queimada. Muito queimada.)
- Ah, não...
Abro a janela, a porta. Me convenço mentalmente:
- E é aqui...
Primeiro pensamento: C o m p u t a d o r. Lembro do meu primeiro chefe do meu primeiro emprego arrastando um nobreak explodido e queimado pela sala. Fumaça. Fumaça. Fumaça. Nada agradável...
- Ah, não...
Logo estou cheirando a impressora, o monitor e a cpu. Só o que falta é explodir agora. E na minha cara. Se celular que explode é notícia no jornal e faz um estrago considerável, imagina um monitor que explode! E bem na minh... Ai.
- Ô Amanda, vem cá!
- Que foi?
- Cheira o computador.
- ?
- Tô sentindo cheiro de queimado...
- Poxa, eu te disse que ele andava meio estranho esses dias...
Lá vai ela. Cabeça embaixo da escrivaninha. A inspeção dela dura menos da metade da minha. Guria esperta.
- Acho que não... Será que não é da rua?
- Não, não... é aqui mesmo...
- É, é aqui mesmo... Tv?
- Desligada.
- Dvd?
- Deslig...
Vó aparece na porta, observando tudo.
- E porque vocês não olharam a panela no fogão?
- ...?
- Tsc, tsc. Aipim cozido. Queimou todo. E vocês aí cheirando esse computador...
Biscoito com goiabada
Primo de nove anos aqui em casa.
Hora do café e ele bem sentadinho no sofá. Diz que não quer nada. Pego uns biscoitinhos e ofereço pra ele.
- Ó, Bruno... Esses aqui tem goiabada. Tri bom!
- Quero nada não, minha filha.
- Hein?! Tua FILHA??
- Éééé...
- E eu lá tenho idade pra ser tua filha, moleque?
O cara de pau mirim vai até onde eu estou, mede a altura dele com a minha e responde:
- É, acho que tem sim...
Coloco os biscoitos em cima da mesa. Olho pra ele.
- Bruno?
Arregala os olhos.
- Quê, Dani...?
- Corre...
Assim como quem não quer nada...
Look at here, mô.
Postado por
Dani
às
21:54
01 junho, 2006
Novidade?
Ops...
- O que eu digo, Dani?
- Ora... Diz: Bruno, esse é o convite pro aniversário do Matheus. Pra ti e pra tua mãe...
- Ok...
Ela vai até a garagem e eu ouço:
- Matheus, esse é o convite pra festinha do... Bruno. Pra ti e pr...er...
Ela volta:
- Saiu alguma coisa errada, né?
Eu:
- Bom, o Matheus vai ficar meio triste. Ele pensava que a festa era dele...
Bruno grita da garagem:
- Ei, o Matheus tá tentando pegar o meu convite...
- Ó, não disse?
Postado por
Dani
às
21:55


