Mostrando postagens com marcador O clã. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O clã. Mostrar todas as postagens

25 dezembro, 2008



Meu vô fez setenta e seis anos hoje.
Ao acordar, fiz uma gracinha qualquer sobre a idade dele, ao que ele me respondeu:
- Setenta e seis anos. Graças a vocês, que cuidam de mim.

Somos em sete mulheres, numa família de dez pessoas. Poucos são os homens que podem orgulhar-se do fato de ser o homem da vida de sete mulheres. Meu vô é um desses homens.

26 março, 2008

A fome, a pedra e o capuccino

E daí que ontem, fazendo exames de rotina, a mãe descobriu que tinha cálculos na vesícula e numa rapidez de dar inveja a muito hipocondríaco, marcou cirurgia pra hoje mesmo.

Chegamos no hospital ao meio-dia e a cirurgia começou às 14:50h. Levei um livro e fiquei por lá, lendo e passando fome, já que não tinha almoçado e nem tomado café.

Sim, meu humor estava ótimo. < /ironia >

Exatamente uma hora depois, fui chamada por uma voz. Olhei pros lados, pra cima, embaixo da cadeira... Nada. Na dúvida, respondi:

- Deus?

Não, era a médica que estava numa janelinha dentro de uma sala escondida. Achei ótimo o layout. Ela se apresentou, disse que a cirurgia tinha corrido muito bem e... ME ESTENDEU A SERINGA COM A FUCKING PEDRA QUE ELA TIROU DE DENTRO DA MINHA MÃE!!!

Fiquei uns dois segundos olhando, olhando. Daí, a médica, pra me dar coragem, falou:

- Guarda... Ela vai querer ver quando acordar.
- Na... minha... bolsa...?
- É, pode ser.
- Gah...

Nisso a médica se despediu, eu agradeci e ela disse que ia demorar umas 4 horas pra mãe acordar da anestesia e que durante esse tempo ela ficaria na sala de recuperação. Saí da salinha , guardei a "pepita" da mãe e fui tomar um capuccino. Porque é isso que se faz quando se carrega lixo hospitalar na bolsa.

Quando fui pagar, vi a seringa perto da carteira e me dei conta da situação: Aqui estou eu, tomando um capuccino, com uma pedra tirada da vesícula da minha mãe. Achei fino.

Agora são 19h e ligaram aqui pra casa dizendo que a mãe acabou de acordar. E mandou dizer que tá louca pra ver a pedrinha.

20 março, 2008

Tomates Amendoins VERDES fritos torrados

Bom, tudo começou como sempre começam os grandes desastres: Num pequeno detalhe. No caso, uma colher de chá de bicarbonato de sódio.

No intuito de ser uma dessas vovós que recheiam cascas de ovos com amendoins torrados para o netinho, minha mãe comprou um saco de amendoins, catou uma receita de fé num dos cadernos e arregaçou as manguinhas. Açúcar, amendoins e água numa panela, mexer, mexer, mexer. Parecia não ter segredo e tudo foi se encaminhando bem. Nisso, ela vira pra mim e pergunta:

- Tem bicarbonato de sódio?
- Ahan. Comprei faz nem uma semana.
- Ótimo, porque vai.
- Vai?
- Vai. Diz na receita.
- Ok...

Bicarbonato em mãos, ela mede uma colherzinha de chá e junta ao amendoim. O cheiro da mistura muda instantaneamente.

- Mãe...
- É assim, mesmo.

Não me contive e fui dar uma espiada na panela, que ela continuava mexendo.

- Mãe! Isso tá VERDE!
- Er... é, né? Mas acho que é assim mesmo, sabe? Bicarbonato escurece as coisas, tipo bolo de chocolate, fica mais marronzinho...

Minha mãe, a eterna otimista.

- Mãe! Oi? O negócio ficou verde! Abortar missão!
- Não, não, a cor vai mudar...

E assim, ela levou o troço até o fim, na fé. E no final das contas, a cor realmente mudou: Do verde mais verde que você já viu para o preto mais preto que você já viu. Entendeu o drama?

Quem não matou a aula de química pra jogar truco no bar e souber explicar a reação química que resultou nos amendoins verdes, esteja à vontade. Mas antes do Matheus abrir os ovinhos, se não for pedir muito...

08 agosto, 2007

\o/

Vô voltou pra casa no domingo e ontem estava melhor do que ontem, quando esteve melhor do que na segunda e... Bom, deu pra entender que ele está melhorando muito a cada dia e eu estou aqui escrevendo enquanto faço a janta que ele pediu: Umas batatinhas fritas, arroz e bife picadinho.

Outra coisa: Eu volto pra contar sobre o inacreditável (mesmo) sonho de chokito que comi lá pelas bandas do Bom Fim...

Outra outra coisa: Meu ombro dói. E dói tanto que está me impedindo de fazer certas funções básicas como digitar e fechar o sutiã, por exemplo.

18 julho, 2007

"we can be heroes / just for one day (...)"

Assim que vi a maca do vô saindo da UTI pro quarto, a garganta apertou como nunca apertou em todos esses 25 dias de UTI. Sim, ele estava mais fraquinho, mais magrinho, com mais bagagem, mas estava ali, vivo e contrariando muitos prognósticos desfavoráveis de médicos que conheciam o paciente, mas desconheciam o homem. Era o meu vô-highlander mostrando pro mundo que ele está aqui por mérito, por vencer lutas que nem pessoas com muitos anos a menos vencem.
O vô saiu da UTI quase no final do horário das visitas, quando as famílias ficam no corredor esperando o laudo médico.
O vô saiu da UTI e, com isso, fez nascer esperança no coração de cada um que estava ali, em vigília. O corredor em que eu tanto andei, no qual presenciei tanta dor, tantas lágrimas, por uns minutos, se encheu de sorrisos.

E foi lindo.

11 julho, 2007

Notícias do vô

Não, a coisa não está sendo fácil.
As notícias boas e más se sucedem e o meu vô está sendo um guerreiro, no verdadeiro sentido da palavra. Não é à toa que ele recebeu o apelido de Highlander do pessoal da UTI do HPS que, a propósito, são muito queridos com ele e com a gente também. No mais, procuramos levar da melhor forma essa rotina de idas ao hospital, médicos e exames. Evitamos o desgaste preservando o bom humor e não deixando a desesperança se instalar porque sabemos que a cada visita o vô enxerga a gente por dentro e pode sentir qualquer energia ruim que possa vir de nós. Sendo assim, mantemos o otimismo e a alegria por ele estar lutando pra voltar pra casa e vamos vivendo os nossos dias da forma mais normal possível, como se ele estivesse por aqui.

E tem receita nova no Especiarias, pra adoçar a nossa vida : )

29 junho, 2007

Últimas...

Ontem, quando minha vó entrou na UTI pra visitar o vô, as primeiras palavras dele foram: "Estou com fome e quero minhas calças."

28 junho, 2007

"Se ele está lutando lá, nós não temos o direito de desistir aqui."

Meu avô começou a trabalhar aos seis anos, em fazendas do interior do município de Alegrete, na campanha rio-grandense. Seu primeiro filho nasceu com uma deficiência física que o impede de realizar muitas das coisas que gostaria. Alguns anos mais tarde, já com dois filhos, meu avô caiu de uma das pontes que construiu e saiu andando, sangue a cântaros, até em casa para tranquilizar a esposa antes de ir para o hospital.

Tudo isso passou pela minha cabeça no último sábado, dia em que ele desmaiou no banheiro de casa e foi levado para o hospital onde diagnosticaram um aneurisma. Lembro que enquanto meu namorado e o namorado da minha prima o socorriam, ele olhou pra mim e disse que queria deitar na cama. Isso certamente o teria matado. Transferido de hospital, devido à gravidade do seu estado, meu avô passou por uma cirurgia muito delicada, onde teria 20% de chances de sair com vida. Meu vôzinho venceu a batalha e hoje se recupera na UTI.

Foram dias de uma angústia enorme, onde cada toque do telefone, de pessoas que queriam saber como ele estava, nos desesperava. Cada visita ao hospital, àquela ala que assusta muita gente, nos dava e tirava a esperança. A UTI é um local dolorido, onde é possível sentir claramente o Medo que impera ali, maior que tudo, dominando tudo. É sempre difícil ver pessoas se agarrando a qualquer fiozinho de vida, lutando por uma coisa que muito poucos dão o valor que ela merece enquanto a tem a salvo.

Nesses dias que estou vivendo, só consigo ser grata por duas coisas: Por ter tido estrutura para lidar com tudo o que aconteceu e está acontecendo e assim poder ajudar minha família da melhor forma. E por poder contar com a pessoa que amo, por ele morar tão longe, mas estar aqui numa das horas mais difíceis da minha vida, por ser a única testemunha das minhas lágrimas, por saber que o meu vô é o meu "pai de verdade" e, por causa disso, nunca, nunca, nunca me deixar abater e perder a esperança.

A razão da minha fé na recuperação do vô é o reconhecimento da história de superação que é a sua vida. Conservando essa fé, me dando todo o suporte que precisei nos momentos mais difíceis, apoiando toda a minha família, entrando na UTI e tranquilizando o vô a respeito da segurança das suas "gurias", está o Arno. O homem que eu tenho o maior orgulho de dizer que é o único que amei, amo, amo muito, amo sempre.


Doações de sangue, de qualquer tipo, para o sr. Dorvalino Catarino Santos Castro, que também foi doador durante grande parte da vida, são necessárias e muito bem-vindas. As doações devem ser feitas no Hospital de Pronto Socorro, de Porto Alegre, das 8h às 18h e aos sábados pela manhã.