08 julho, 2006

Verdinhas, perfumadas e saborosas

"O manjericão, por exemplo, gosta até de gritaria. Na França, o costume popular ensina que essa planta perfumada só cresce viçosa quando a semeadura é feita acompanhada de xingamentos e palavrões (...) O manjericão nasce e cresce com facilidade até num vaso de flores da sacada, sem necessidade de palavrões. Ele quer apenas atenção."

"O alecrim, outra estrela de uma horta, é bom contra o reumatismo e a depressão nervosa. O vinagre com alecrim restabelece o PH natural do cabelo e da pele. E os molhos ganham aroma especial com uma pitada de alecrim fresco. Seu cultivo também é fácil, até num vaso na sacada.
O alecrim é bom confidente. E tem poderes mágicos, acredite. Converse com ele sobre suas desventuras amorosas. É a erva da juventude eterna, do amor, da amizade e da alegria de viver. Os antigos diziam que um ramo de alecrim embaixo do travesseiro afastava os maus sonhos e, no passado, os jovens carregavam sempre um ramo nas mãos, para tocar com ele na pessoa amada e ter seu amor para sempre. Vale a pena ter uma horta. No mínimo, para recuperar um pouco dessas ilusões perdidas."

Anonymus Gourmet


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Adoro cozinhar usando ervas. Massas, lasanhas, até omelete e bolo de fubá. O molho béchamel que eu faço nunca seria um molho tão bom se não fosse o raminho de alecrim fresco e a sálvia, assim como um macarrão com molho de tomate nunca vai ser um bom macarrão com molho de tomate se não tiver umas folhinhas de manjericão. Pra mim é fundamental. Alguém imagina pizza sem orégano? Comida tailandesa ou indiana sem açafrão? Pois é. Eu também não. É o que dá a identidade de cada prato, o que faz a diferença. E são lindas! Já viram um pezinho de pimenta dedo-de-moça? Estão vendendo até em floriculturas de tão lindo que é... Além do mais, cozinhar com ervas é uma declaração de carinho: O cozinheiro adepto geralmente planta as próprias mudinhas, cuida todo dia, escolhe a erva que mais combina com o prato a ser feito, colhe o raminho, brinca com as infinitas nuances que um prato perfumado oferece. E sim, - como o Anonymus Gourmet disse ali em cima - temperar um prato com ervas tem uma certa dose de magia.

06 julho, 2006

Hecatombe

Balança financeira em pandarecos + mau humor potencializado + torcicolo


Mau humor reinante - Keep Distance

Duas da manhã. Noite péssima: Dor de garganta, pesadelo e falta de sono causada pelas duas únicas coisas no mundo que não me deixam dormir em paz com os anjinhos e tal: pés gelados e preocupação. Levanto, ligo o computador e tenho a confirmação total de que o msn tá muito envolvido com missão de ferrar com a minha vida. Chamo a cléo pra me aturar, mas ela não parece muito a fim de papo e olha pra mim com as patas cruzadas (!!!). Caramba, eu devo estar uma chata de galocha e capa de chuva pra minha cachorra olhar pra mim com cara de "Ai, cresce!" e
cruzar as patas (!!!!!). Sabe o que mais? Vou ler o meu livrinho bobo aqui, bem deitadinha na cama que me expulsou. E vou dormir até tarde, isso se o sobrinho não me acordar porque quer ver desenho (leia-se dormir assistindo Moranguinho na tv).

Ah, sim. São 03:46h agora.
E, muito provavelmente, não estarei um primor de gentileza amanhã...



Cinco minutos disso é o suficiente pra fazer o loirinho cair no sono.
Pena que não passa nesse horário...

04 julho, 2006

I will read for food (e tô falando sério!)

A Morte da Sra. MCginty - Agatha Christie

A Boda do Poeta - Antonio Skarmeta

Filha da Tempestade - Bernard Cornwell

Clube da Luta - Chuck Palahnuik

O Guia do Mochileiro das Galáxias - Douglas Adams

A Metamorfose - Franz Kafka

A Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada - Gabriel García Márquez

Viver para Contá-la - Gabriel García Márquez

Eva Luna - Isabel Allende

Cinco Quartos da Laranja - Joanne Harris

Praia Roubada - Joanne Harris

Em Nome do Vento - Marcio Sgreccia

O Caderno de Noah - Nicholas Sparks

O Homem que Confundiu Sua Mulher com Um Chapéu - Oliver Sacks (esse já vale só pelo título!)

Tudo o Que Resta - Patricia D. Cornwell


Vou ler um por um e depois eu conto aqui quais os que valem a pena de verdade, na minha modestíssima opinião. Ah! O primeiro vai ser "Cinco Quartos da Laranja", da Joanne Harris. Pra quem não sabe, ela é a autora do livro em que foi baseado aquele filme com a Juliete Binoche e o Johnny edward-mãos-de-tesoura Depp, "Chocolate".

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Sabe quando você pára, olha para o infinito e pensa: "Poxa, ISSO é um Orgasmo Literário" ? Pois é. Foi q u a s e isso. Mas não foi dessa vez, não. Orgasmo litérario de verdade só quando a Vai e Volta falir e vender todo o acervo a R$1,00, né Pi?

Mais informações somente para os inciados!! :P

See you!

22 junho, 2006

Recebi hoje:

Vinte e dois de junho

Hoje é 22 de junho, sim... Sempre quando essa data se aproxima, começo a ter comichões buscando em mente o que está por vir... A Páscoa se foi, o Descobrimento do Brasil é em abril, o aniversário do Bono é em maio. Hmmm, junho é o mês dos cancerianos?! Poxa vida. Vinte e dois! E de junho! É mesmo...

A data me remete a uma pessoa que conheço há algum tempo já. Alguém com quem, nos tempos de escola, passava o recreio na biblioteca, procurando livros divertidos. Uma companheira com a qual podia passar vários minutos sentada em silêncio, e ao levantar sentia como se tivera a mais profunda das conversas.

Escrever algo original e interessante para uma amiga especial, sobre um dia especial, pode ser um tanto complicado. Ainda mais quando essa pessoa é o “Aham... É assim mesmo” na hora exata, o empurrãozinho de motivação e a lente de aumento com o poder de mostrar as letrinhas miúdas de um contrato furado... Tudo ao mesmo tempo (!). O fato de a mesma ser inteligente e possuidora de um humor tão fino e suave como os temperinhos que inventa para suas saladas vegetarianas também não facilita o trabalho.

Cheguei a pensar, como solução, naqueles famosos cartões de aniversário do Garfield, com piadinhas sobre o fato de estarmos ficando mais velhos, ou não termos dinheiro suficiente para comprar um presente. São engraçadinhos... Mas bem manjados. No entanto, não mais repetitivos que as mensagens de agradecimento pelo prazer por mais um ano de convívio, etc, etc, etc. Os desenhos que acompanham essas últimas até que são simpáticos. Ok, desisto.

Um es-cri-tor fa-mo-so. Sim! Elejamos meu salvador: vejamos, García Márquez? O cara é legal, mas já estaremos em setembro quando (e se) conseguir falar com ele... Neruda? Morto. Machadão? Morto. Herman Hesse? Morto. Wilde? Morto. Hmmm. Preciso de um copo. Vou recorrer a um defunto mesmo.

Apesar do desconforto ao vislumbrar o possível sucesso de minha empreitada, arrisquei um tête-à-tête transcendental com Shakespeare. Seria uma boa dedicar um texto inédito do dramaturgo defunto inglês a minha amiga. Toalha branquinha limpa na mesa, algumas velas, muita concentração. “Out, out, brief candle...”. No way. “Full of sound and fury”? Nem sinal.

Enfim... Frente ao meu perceptível fracasso, cheguei à conclusão que realmente teria que apelar a algo de minha autoria. Difícil ter sucesso ao ambicionar fugir de lugares-comuns.

Tecer comentários a respeito do poder cativante, da segurança - talvez transmitida de forma imperceptível por minha amiga - e não parecer clichê é quase impossível. Que o diga discorrer sobre sua determinação (a qual chega a despertar uma pontinha de inveja) ou, então, sobre a grande força que convive com a leveza de sua sensibilidade.

Percebem minha agonia ao tentar transpor ao mundo das palavras e coisas tangíveis a unicidade e a relevância dessa criatura? Talvez uma frase possa ser mais eficaz... Precisaria de algo realmente fantástico, impactante, objetivo, que imprimisse toda magnitude da questão desenvolvida em minha mente. Estou sentindo, na ponta dos dedos... Hmmm. Acho que é isso mesmo...

FELIZ ANIVERSÁRIO, Amiga!

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É ou não é fácil, fácil ter um feliz aniversário desse jeito?


21 junho, 2006

Post da Pi!

Sobre o meu lado maligno (by Pi)

Já fui questionada várias vezes sobre a existência e conhecimento das ações advindas de meu lado maligno (a partir de hoje: LM). Ainda não sei se ele existe realmente. Se bem que, de tanto falar nele e na sua inatividade, capaz mesmo de estar escondido em algum lugar. Nunca se sabe o poder das evocações feitas em pensamento.

Em entrevista exclusiva concedida ao CD (Coisa da Dani), o especialista em Forças Ainda não Desenvolvidas da Universidade de Bucareste, Kriev Bigart, declara que a ativação primordial de energia maligna acumulada pode resultar no surgimento de um ambiente com campo gravitacional extremamente poderoso. “Seria como se um mini-buraco negro se formasse... Um fenômeno deveras atípico”, explica Bigart, que conclui: “Não gostaria de ser a pessoa perto da Pi num momento desses (risos)”.

Alguns teóricos* acreditam que LM seja como o Etna, repleto de lava borbulhante e incandescente, prestes a destruir um pedaço bonitinho da Itália. É de se considerar que, para acabar com essa dúvida, o ideal seria me tornar totalmente maligna, mandando caras idiotas à ponte que partiu, chamando-os de filho da fruta ou, ainda, socando mentirosos até verterem sangue. Essa última alternativa me levaria a usar roupas mais escuras, afinal de contas, pessoas malignas não podem andar por aí com manchas de sangue aparentes... E encher Zés Manés de chutes, jebs, cruzados e pontapés parece ser, no mínimo, terapêutico.

Elucubrações de correntes de estudos mais aprofundados** reivindicam as demonstrações de paciência, cordialidade e tolerância como verdadeiras prováveis ações do LM. Uma forma de espremer os miolos de quem não merece consideração alguma ao fazê-los pensar: poxa vida, como ela consegue ser tão gente fina? Ponderações assaz pertinentes.

Estudos sobre a forma de ativar o LM, no entanto, ainda estão sendo desenvolvidos. Uma equipe (composta por 16 especialistas em Potencial Maléfico, 9 Ph.Ds em História do Poder Maligno, 5 físicos quânticos e 3 bombeiros) trabalha na elaboração de um tratado acerca dos possíveis fatores desencadeadores de ações malignas. Segundo o responsável pelo projeto, Manfred Kolovski (do Centro de Atividades Perversas de New Hampshire), a conclusão da pesquisa é prevista para agosto de 2007. “Depois da edição do tratado, será divulgada na internet uma lista das TOP 10 situations de ativação do LM”, adianta Kolovski. É esperar para ver.

*Para mais informações sobre o assunto, veja Edwin Wiggen Ph.D. (Quem mexeu no meu lado maligno) e F.J. Presscot (Descubra seu lado maligno em cinco minutos – manual revisto e ampliado).

** Grupo de Análise de Situações Extremas (GASE), liderado pelo filósofo tcheco Kidween Martin (Assim como são as pessoas são as criaturas – edição esgotada)


Legenda:

Teoria de Bigart

Acompanhe no infográfico tosco, abaixo, a Teoria de Bigart sobre a ativação primordial do Lado Maligno.

Fator X de estímulo do lado maligo + propensão a ações malignas = formação de campo com força gravitacional poderosa (vulgo: mini- buraco negro)

(1) antes do LM

(2)momento de ativação do LM ou momento “Salve-se quem puder!”

19 junho, 2006

Influenza

Percebi que é quase impossível não escrever sobre uma coisa que te adubou de alguma forma e, por isso, está sempre ali. Não no sentido de tomar conta, mas de você ter certeza de que aquela é uma parte da sua vida que fez diferença pra você, que te tornou uma pessoa diferente. Foi o que houve: Eu me vi morrer pra alguém. Eu me vi agonizar, ter aquela melhora súbita que sempre acomete o que está nas últimas e, por fim, morrer. Eu deveria ter entendido, mas esse foi o dia em que a minha tão elogiada percepção do outro estava mais ocupada em fechar o primeiro botão da blusa que tinha aberto, encostar a mão no vidro da janela pra saber se o sol estava tão quente assim e tentar remediar o estrago das unhas pintadas de vermelho escuro. Justo eu que nunca pintei as unhas de vermelho escuro sem um bom motivo. Engraçado lembrar que foram aquelas unhas vermelhas que me fizeram chegar ali: Só pra morrer nos olhos de alguém. Em silêncio. Tentando negar.

13 junho, 2006

História sobre histórias (com direito a bruxa e final feliz)

Ensino fundamental, médio, faculdade, cursos... Foram vários professores. Nenhum como aquela. Era 1993, eu estava na terceira série do primário e não tinha um dia sequer em que um coleguinha não caísse no choro por causa dela. Uma bruxa mesmo. Então, daqui por diante, ela será chamada de Bruxa. Toda semana tinha a "Hora da Biblioteca" e a Bruxa nos levava até lá para escolher um livro e levá-lo pra casa durante uma semana. Frustrante. Primeiro porque era UMA LONGA SEMANA pra quem lia o livrinho em minutos e segundo porque a Bruxa tinha surtos se um aluno mais curioso intelectualmente lançasse olhares cobiçosos para a prateleira onde estavam os livros "dos grandes": Coleção Vagalume, aqueles livros fan-tás-ti-cos do Pedro Bandeira, Ilha do Tesouro, etc... A Bruxa gritava, sacudia os braços, ficava roxa:

- Não, fulano! É aqui! Já disse que é aqui!!!! Eu não disse?!

E lá ia o menino se contentar com a vigésima oitava versão do Patinho Feio, Chapeuzinho Vermelho e afins. Aquilo me revoltava porque obviamente eu era uma daquelas que ficava namorando os livros maiores. Não tenho idéia de quantos alunos ela conseguiu desestimular qualquer hábito de leitura, mas a minha teimosia venceu e cativou uma aliada: A bibliotecária que me ajudava a contrabandear livros "dos grandes" pra casa. Ela escolhia o livro e me entregava escondida no final da aula. O contrabando bem embaixo do nariz da professora durou quase todo o ano, até o dia em que caí na asneira de abrir a mochila enquanto a Bruxa estava por perto. Mais eficiente do que o radar dos morcegos ela girou e deu de cara com algum exemplar da coleção vagalume. Arrancou o livro da minha mochila, pegou o meu braço e saiu me arrastando pelo corredor até a coordenação. Furiosa, chegava a bufar. Olhava pra mim (e até hoje me lembro daquele olhar de louca varrida):

- Tu vai ver o que a professora Oseni vai fazer com quem ROUBA assim!

Abriu a sala da coordenação, me empurrou pra cadeira bem na frente da coordenadora.

- Ela ROUBOU o livro, professora Oseni! ROUBOU!

Gelei até a medula. Sentia que ia chorar a qualquer momento.

A professora Oseni olhou pra mim com toda a calma. Hoje desconfio que ela já estava acostumada com os achaques da Bruxa.

- O que aconteceu, Daniela? Pegaste esse livro na biblioteca?
- Peguei.
- Escondida?
- É...
- Sabe que é feio e errado fazer esse tipo de coisa, não sabe?

Pediu pra professora sair e me olhou em silêncio (também me lembro desse olhar até hoje. Atento, carinhoso, tranqüilo. Podia ter me feito cair no choro também, mas pelo contrário, me devolveu a confiança).

- Mas tu não roubaste, né?
- Não.
- E por que pegaste?
- A moça da biblioteca me empresta. Eu já li todos os livros menores. Quero ler outros agora...
- Gosta de ler?
- Gosto.
- Sabe, eu li aquela história da panela que você escreveu. A da panela, a do ladrão da lua, a da menina que encontra a pedrinha brilhante...
Sorri.
- Gostei muito, sabia?
- Obrigada.
- Então a gente vai fazer o seguinte...
Pegou uma folha de papel, escreveu alguma coisa e carimbou. Ela sorria.
- Aqui, ó... Isso é uma autorização que você vai entregar pra professora. Com ela você vai poder pegar qualquer livro da biblioteca que quiser.

Peguei a folha, agradeci e voltei pra sala. Entreguei a autorização pra Bruxa que me olhou de uma forma com que fui olhada algumas outras vezes nesses treze anos. Aquele olhar que tem intenção de assustar quando se sabe que é inútil tentar outra coisa. Mas não me assustou. E não me assusta até hoje. Sentei e me apressei em copiar o texto que ela tinha passado no quadro. Logo seria a "Hora da Biblioteca" e tinha muita coisa legal por lá.

A professora Oseni não foi a primeira nem a última pessoa que me estimulou a ler, mas junto com a bibliotecária e a minha vizinha de andar no prédio onde morei, foi a mais importante. E hoje percebo o quanto isso é necessário pra qualquer um. Meu sobrinho, por exemplo, fez um ano ontem e já tem uma coleção de mais de vinte livrinhos (Ainda quero dar pra ele de presente um exemplar do "Soprinho"). Se diverte com eles como se fossem brinquedos. E que seja assim. Que rasgue, folheie, desenhe neles, como eu fiz. Que se familiarize com as letras, páginas, com o cheirinho fantástico de livro novo e de livro velho, como eu fiz. E que ele tenha acesso a eles, que ele seja criado pra ser um leitor. E que todas as crianças (e adultos também) tenham ao menos uma pessoa pra estimular esse hábito. Como eu tive.

E quanto à Bruxa? Bom, o ano terminou e ela desapareceu do colégio. Vi ela novamente há uns meses atrás quando estava levando a minha prima na Feira do Livro de Porto Alegre. Me olhou nos olhos e não sorriu. Encarei de volta. Sorrindo. Se ela lembra de mim? Não sei. Talvez lembre da menina contrabandista de livros ou talvez da menina que, em outra ocasião, fingiu muito bem um estouro dos tímpanos ao ouvir os berros dela, deixando a mulher horrorizada, pálida e com os olhos do tamanho de pires.

De qualquer forma, devem ser ótimas lembranças. Pra mim são ;)

12 junho, 2006




Sempre.

09 junho, 2006

O tal do 666

Entra o aluno na sala. Flip-flops do tipo D pra cá, álgebra booleana pra lá. De repente ele diz:
- Dizem que o mundo vai acabar na terça-feira...
Respondo sem levantar os olhos da apostila:
- Poxa, de novo?

Sim, esse é o meu nível de crença em profecias desse tipo. Ou seja lá como prefiram chamar. Não venham me dizer que uma coincidência numérica vai dar vida a todos os horrores do mundo (como se tivesse data marcada e toda certinha pra isso) e o carinha com o tritão (o diabo, não o pai da Pequena Sereia) vai olhar pro calendário e dizer:

- Rá! 6 de 6 de 2006! É hoje!

Pelas folhinhas verdes do meu manjericão florido! Muita coisa pra mim... Fora que esse 06/06/2006 não tá valendo. Ou será que só eu vejo o 2 ali empatando? E se quiserem conjunção numérica cheia de coincidência com um 2 de gaiato pra atrapalhar, eu sugiro essa:

Exatamente à uma hora, dois minutos e três segundos do dia quatro de maio de 2006 tínhamos o seguinte: 01h02min03s 04/05/06. Não é bem mais legal? Ou na ordem decrescente: 06h05min04s 03/02/01, ou... Tá, acho que já me fiz entender...

De qualquer forma, sou mais meu vô que, sempre quando ouvia uma baboseira dessas, dizia:
- HAHAHAHA! O mundo acaba todo dia pra quem morre E SÓ!


08 junho, 2006

Contribuição da interina

Essa semana aprendi que das incertezas acaba brotando alguma coisa. Não sei bem o que, mas enfim. Aprendi, também, que existem pessoas infelizes por pensar demais e não agir. E seres frustrados por agir demais e não pensar.


Enquanto Madame Bovary fica no porão dos "livros com personagens que me irritam" e não encontro uma leitura mais fresca, alterno momentos de extrema apatia com outros de uma pequena obsessão por socar pessoas imaginárias, tendo consciência da existência dos meus deltóides. Algo que vem, inclusive, afetando o meu poder de concluir sinapses, considerando que reescrevi obsessão umas três vezes, das mais diferentes formas.

Dando início à série "descobertas culinárias", encontrei na geladeira, dia desses, um goiachup. Nada mais que uma calda de goiaba embalada em um frasco de catchup. Consumida com ricota, numa versão anoréxica do Romeu e Julieta, fica bem interessante. Lembrei agora da época em que tentava descobrir um parentesco entre pepinos e melancias.

Ambos são verdes, têm uma parte branca que parece ser maligna (jamais me deixaram comê-la) e são pura água. Na verdade, nunca fui persistente o bastante para ir até a estante e checar a pertinência disso em uma enciclopédia Larrouse. Quem sabe algum dia...

Pensar demais cansa.

By Pi

Separados no berço

06 junho, 2006

(Cheiro de coisa queimada. Muito queimada.)

- Ah, não...

Abro a janela, a porta. Me convenço mentalmente:

- E é aqui...

Primeiro pensamento: C o m p u t a d o r. Lembro do meu primeiro chefe do meu primeiro emprego arrastando um nobreak explodido e queimado pela sala. Fumaça. Fumaça. Fumaça. Nada agradável...

- Ah, não...

Logo estou cheirando a impressora, o monitor e a cpu. Só o que falta é explodir agora. E na minha cara. Se celular que explode é notícia no jornal e faz um estrago considerável, imagina um monitor que explode! E bem na minh... Ai.

- Ô Amanda, vem cá!
- Que foi?
- Cheira o computador.
- ?
- Tô sentindo cheiro de queimado...
- Poxa, eu te disse que ele andava meio estranho esses dias...

Lá vai ela. Cabeça embaixo da escrivaninha. A inspeção dela dura menos da metade da minha. Guria esperta.

- Acho que não... Será que não é da rua?
- Não, não... é aqui mesmo...
- É, é aqui mesmo... Tv?
- Desligada.
- Dvd?
- Deslig...

Vó aparece na porta, observando tudo.

- E porque vocês não olharam a panela no fogão?
- ...?
- Tsc, tsc. Aipim cozido. Queimou todo. E vocês aí cheirando esse computador...

Biscoito com goiabada

Primo de nove anos aqui em casa.

Hora do café e ele bem sentadinho no sofá. Diz que não quer nada. Pego uns biscoitinhos e ofereço pra ele.

- Ó, Bruno... Esses aqui tem goiabada. Tri bom!
- Quero nada não, minha filha.
- Hein?! Tua FILHA??
- Éééé...
- E eu lá tenho idade pra ser tua filha, moleque?
O cara de pau mirim vai até onde eu estou, mede a altura dele com a minha e responde:
- É, acho que tem sim...
Coloco os biscoitos em cima da mesa. Olho pra ele.
- Bruno?
Arregala os olhos.
- Quê, Dani...?
- Corre...

Assim como quem não quer nada...

Look at here,
mô.

01 junho, 2006

Novidade?


Ops...

- O que eu digo, Dani?
- Ora... Diz: Bruno, esse é o convite pro aniversário do Matheus. Pra ti e pra tua mãe...
- Ok...
Ela vai até a garagem e eu ouço:
- Matheus, esse é o convite pra festinha do... Bruno. Pra ti e pr...er...
Ela volta:
- Saiu alguma coisa errada, né?
Eu:
- Bom, o Matheus vai ficar meio triste. Ele pensava que a festa era dele...
Bruno grita da garagem:
- Ei, o Matheus tá tentando pegar o meu convite...
- Ó, não disse?

30 maio, 2006

Recapitulando

I will read for food.

Alguma boa idéia?


25 maio, 2006

¬¬

Menino de uns 3 anos distribuindo beijos em um salão de beleza.

Mulher de cabelo vermelho: Me dá um beijo também?
Menino: Não.
Mulher de cabelo vermelho: Por quê?
Menino: Porque nããããão.
A mulher de cabelo vermelho
tira uma bala de dentro da bolsa e diz:
- Ó... eu tenho uma bala...
O menino coloca a mão no bolso e estende uma bala para a mulher.
- Eu também tenho.

E saiu. Todo contente.


22 maio, 2006

Abobrinhas

Mas como uma menina vegetariana & aprendiz de culinarista como yo (sim, isso existe, por favor falem baixo e não atraiam vegans histéricos e/ou carnívoros sociopatas pra cá) ainda não havia descoberto o poder da ABOBRINHA?!

De acordo com esse site, 180g de gramas de abobrinha - mais ou menos uma xícara cheia - tem apenas 20 calorias. Sim, meninas: Eu disse APENAS 20 calorias! Fora que é bom demais!
Inventei uns molhinhos aqui em casa que ficaram uma beleza... - Modéstia volta amanhã - Rá rá... vou comer abobrinha até ficar verde e listrada...

Ah, sim: Por favor, abobrinha com casca! Não tem problema não porque ela é bem macia. Você não vai querer olhar pro prato e pensar que está prestes a comer pepino refogado, né? ;)




20 maio, 2006

Vai um livrinho bom aí?

"Antes de as mulheres terem asas", de
Connie May Fowler

(...) Os olhos dele pareciam nuvens se armando para um forte temporal - sabe aquele olhar de loucura como se a alma de uma pessoa complicada e perseguida tivesse sido forçada para dentro do pequeno espaço no interior das órbitas, lampejando desespero, raiva e dor como uma luz de alerta: Não entre, não atravesse; não tente consolar (...)

(...) Era um vento violento - do tipo que corta por dentro das pessoas, como se o ar estivesse cheio de perigo, de silenciosas navalhas feitas de gelo. O verão se despedaçou aos meus pés. (...)

Mais um? Ok.

"Noite do Oráculo", de Paul Auster

(...) Sabia que ia ter de dizer adeus ao caderno português, mas a menos que fizesse isso em meus termos, ele continuaria a me assombrar como uma derrota moral. Se não por outra coisa, porque sentia que precisava provar a mim mesmo que não era um covarde (...)

(...) Pensamentos são reais. Palavras são reais. Tudo que é humano é real, e às vezes sabemos coisas antes que aconteçam, mesmo sem ter consciência disso. Vivemos no presente, mas o futuro está dentro de nós a todo momento (...)

18 maio, 2006

Pelo bem dos meus antebraços

Quem souber como ler um livro de 940 páginas na cama sem ser esmagado por ele, me avisa?

Sim, a tentação de desmembrá-lo em dez livrinhos de 94 páginas é grande, mas:
- Ele é um livro e merece respeito.
- Ele não é meu.
- Ele é tão, mas tão grande que ganharia de mim fácil, fácil...

Pra constar: A moça que está aqui reclamando é a mesma que já saiu da biblioteca carregando "A Montanha Mágica", do Thomas Mann (960 páginas) e ouviu a seguinte piadinha do bibliotecário:

- Olha o tamanho desse livro! Será que a montanha tá aí dentro?

Rárá...


16 maio, 2006

E diretamente do mundo das idéias...

Morto não fala.

E seguimos... Adoro quando o óbvio faz sentido.


13 maio, 2006

Eu vi.

O colega de trabalho de uma amiga vai até a casa dela nos buscar para uma jantinha na casa de uma outra amiga. Abro a porta e entro no carro enquanto o moço senta à direção. A amiga demora uns segundos antes de abrir a porta, mexendo na bolsa. O suficiente para o colega virar pra mim aflito:

- Será que ela tá esperando eu abrir a porta?

Deu até pena, mas naquele estado de aflição, o coitado nem teve tempo de tomar uma decisão, quanto mais deixar os genes cavalheirísticos agirem. Ela mesma abriu a porta, entrou no carro e ele deu a partida rapidinho num silêncio constrangido.

Quase deu pra ouvir aquele típico "Mulheres...." pairando dentro do carro.

Fico na minha. Se bem conheço meu gênero, a probabilidade da demora dela em abrir a porta ter sido proposital é grande: Os royalties das indiretas são nossos, meninas.


08 maio, 2006

Aspirina Sentimental

- Vai lá. Não vai nem sentir o gosto. Não vai resolver, mas também não vai matar.

- ...

- Respira fundo. Tá ruim? Só porque você quer. Dor tem remédio, sim... Caneca de chá, colo de mãe, panela de brigadeiro? Besteira. A felicidade tá aqui dentro ó.

- ...

- Música? Fatalmente alguma vai te fazer lembrar, vai te fazer chorar e você vai fechar a janela pro sol mais uma vez.

- ...

- Levanta daí, experimenta, só uma vez...

- ...

- Se eu prometo que vai ser a última? Quem sabe. Os tombos estão aí, querida. Mas se nem Merthiolate arde mais, você vai sentir dor pra quê?

- ...

- Fala mais alto, não tô te ouvindo.

- Eu disse que mesmo daqui, do porão do fundo do poço, dá pra ver o céu azulzinho lá em cima...

- ...

- Guarda isso. Eu sei que vai passar.


Matéria na TPM #53: Deixa doer.

03 maio, 2006

Dinâmica nossa de cada dia...

Recebo um e-mail de uma empresa onde já fiz DUAS entrevistas e DUAS dinâmicas de grupo. Seriam três dinâmicas se eu não tivesse dito “não, obrigada” para a quinta ligação que recebi do RH de lá. Daí fico pensando: Já escrevi uma carta simulada para um cliente simulado, já fiz pontinhos em uma folha de papel com um lápis ruim, precisei escolher entre 248 adjetivos, mais adequados a carros do que pessoas, o que melhor ME descrevia, já tive que decidir o que fazer com uma grávida sem plano de saúde. Só não passei pelo incrível teste dos grãos de arroz dentro da garrafa (cortesia da pi). Então, meses depois da última dinâmica, recebo esse e-mail:

Daniela,

Envie seu currículo atualizado. Urgente.

Att.

Se for outra dinâmica, vou começar a acreditar que tenho uma personalidade incrivelmente complexa, constituindo farto material para estudos psicológicos aprofundados. Se não for isso, ao menos vou solicitar que o meu cartão-ponto seja colocado estrategicamente ao lado da sala onde são feitas as dinâmicas... Ah, sim: E que me digam de uma vez por todas o que significa o tal teste da garrafa com grãos de arroz.

29 abril, 2006


"Meu Deus, o que é que esse menino tem?
Já suspeitavam desde eu pequenino.
O que eu tenho? É uma estrela em desatino...
E nos desentendemos muito bem!"

Mario Quintana

27 abril, 2006

Entre arlequins em Veneza...
By Pi*
Medo de mostrar quem se é... Isso é bem estranho, sabe... Medo de ser uma pessoa interessante, por acaso? Creio que é o receio de se descobrir como alguém significativo, mesmo não tendo escrito um livro, plantado uma árvore ou faturado um milhão na mega-sena.

Tem muita gente que se esconde num carnaval de Veneza, ou até mesmo dentro daqueles bailinhos de máscaras bem chinfrins onde os que não sabem sambar acompanham a música com os indicadores pra cima, sabe? (bom, mas isso não vem ao caso). E como são indecisos... Não conseguem encontrar uma fantasia que lhes caia bem.

Depois de colocar e tirar tantas e tantas caras, tantas e tantas máscaras, não duvido que o sujeito acabe se embananando de vez e esquecendo quem realmente é (se é que um dia soube... ou fez questão de saber).

A priori, todas as pessoas são dignas de se conhecer. Mesmo que tenham como único objetivo de vida comer as mulheres mais gostosas do mundo, mesmo que cutuquem o nariz com o dedo mindinho, ou ainda, que sejam perseguidas por um incomum medo de andar de escada rolante.

Hmmm. Acho que essa idéia tem, também, algo a ver com a minha mania recalcitrante de pensar que por mais idiota que as pessoas possam parecer, elas sempre têm algo de bom no fundo... Às vezes beem no fundo...Ok, ok... Um fórceps é necessário em algumas ocasiões.

*Pi. Amiga, colaboradora, jornalista (com registro, rá!) e ímã de esquisóides.

E...e...Tinha uma nuvem...

26 abril, 2006

Assumindo a minha total ignorância botânica...

Alguém lembra da minha vontade de ter uma figueira no quintal? Poxa! Eu fazia desenhinhos e tal... (Lembra, Mari?) Pois é, lendo o blog dela descobri que estava tudo errado: Eu quero é uma oliveira no meu quintal!

E agora, como eu faço pra plantar uma oliveira? Ou uma "azeitoneira" como disse o meu colega de monitoria aqui... Enquanto não descubro, vou continuar cuidando do meu manjericão gerado espontaneamente, da cerejeira que ainda se revolta por não estar no Japão e evitando que a árvore da calçada seja totalmente escalpelada pelos caras da RGE.


Lindona, né?

24 abril, 2006

Labradores são lindos

E tranqüilos.
E fofos.
E inteligentes.
E adoram brincar.
E aturam a Dani por horas a fio sem reclamar.

Quero um pra mim...


23 abril, 2006

Descobri

... que eu não conseguiria deixar meu coração em outro continente.



Rio Arno - Florença, Itália.

22 abril, 2006

It rings a bell?

Encontro minha mãe assistindo aquela monstruosidade psicodélica que é a abertura do 007. Impressionante como não gosto daquilo desde quando
o Aquaplay e o Lego disputavam a minha atenção e o meu senso estético afirmava que a nave da Xuxa combinaria super bem com os sofás da sala lá de casa.

It rings a(nother) bell?

Em compensação, descobri que adooooro Aretha Franklin (o refrão de "Rescue Me" não sai da minha cabeça por nada) e que a Carla Bruni faz um
as musiquinhas pra lá de boas: "La Dernière Minute", por exemplo. A música tem a duração exata e cro-no-me-tra-da de um minuto, é cantada num francês bem rápido e é cheia de simbolismos. Representa a importância dessa fração tão pequena do tempo de uma forma linda, simples e delicada.



"Juste encore minute, juste encore minute,
Pour un dernier frisson, ou pour un dernier geste,
Juste encore minute, juste encore minute,
Pour ranger les souvenirs avant le grand hiver,
Juste encore une minute... "

21 abril, 2006

Ná...

Tá lá ainda.

Ah, tá...

Só eu vi?


Na tampinha

E o Orkut cortou o barato da galera...


20 abril, 2006

Pra não esquecer

Se alguém diz:

- É tipo bala de gengibre. Experimenta.

Não dê ouvidos à sua hipoglicemia que fica martelando "Bala! Bala! Bala!" na sua cabeça. As duas palavras verdadeiramente importantes na frase acima são: "tipo" e "gengibre". A palavra "bala" é supérflua. Eu teria evitado um acesso de tosse e um possível paladar arruinado no almoço se tivesse lembrado disso.

Ser gastronomicamente destemida ainda vai me criar sérios problemas. Ah, se vai...


Alguém que eu adoro vai se perguntar:

"Pô! Mas porrrrque ela entrou na página se tem a-barrinha-do-Google ali no canto do Firefox?"

Respondo:
Hábito e anos de doutrinação windowsiana, dos quais você está me livrando... :)


zzzzzzzz...

Quase uma hora da manhã, acesso o Google e vejo isso:


Pensamento: "É, Dani... Hora de dormir."

17 abril, 2006

Brrrrrr

Frio (de fazer "brrrrr") às 17h, saindo da faculdade. Daí você se pergunta como é possível que, há menos de dez dias, você estivesse assistindo desenhos de short e tomando sorvete com seu sobrinho. Parece coisa de outro país, de outro hemisfério, mas não se engane: É coisa do Rio Grande, mesmo... Então chega o frio que dá fama a esse estado e você procura uma blusa mais quentinha, um suéter, em resumo, roupa de frio. Com isso, você relembra três coisas importantes:

1. Lã pinica

2. Roupas de frio guardadas por meses no armário, ficam com cheiro de... roupas de frio guardadas por meses no armário. E dá-lhe confort.

3. Escrever sobre o tempo no seu blog não é um bom sinal...


13 abril, 2006

Quando a ansiedade da busca não mede as conseqüências da entrega

* Ele te conhece há dois meses e vocês vão se casar.

* Ele comenta que deseja abrir uma conta-corrente em seu nome, que quer depositar todo mês algum dinheiro pra você e pra sua filha de 15 anos. Você entrega seus documentos todos e ele volta dizendo que abriu a conta e que o cartão do banco chegará pelo correio em breve. Sua assinatura foi necessária pra abertura da conta? Nããão... ele conhece todo mundo, todo mundo o conhece, isso não é preciso...

* No mesmo dia ele comunica que colocou todos os bens dele no seu nome. Ele continuará administrando, mas a dona de tudo é você. Aproveitando que estava com seus documentos, ele foi até o cartório para providenciar o casamento.

* Ele diz que já que vocês vão casar em breve, precisam de uma casa nova. Na semana seguinte, ele dá a notícia de que a casa já está sendo construída: Dois andares, cinco quartos, três banheiros, academia completa com todos os aparelhos, onde você gastará seu tempo livre - já que ele não quer que você trabalhe pra não estragar suas unhas - piscina, churrasqueira e uma garagem enorme pra comportar os dois carros e a moto novinha que ele tem. Vinte pedreiros estão trabalhando dia e noite pra entregar a casa logo. Mas é surpresa, você só poderá vê-la assim que estiver pronta e totalmente mobiliada.

* Ele diz ser fotógrafo, desenhista, projetista de aviões, militar da aeronáutica aposentado, psicólogo e trabalha em uma câmara de vereadores.

* Você nunca foi na casa dele, mas ele sempre vai visitá-la. De bicicleta, porque ele sofreu um acidente de moto há seis meses e não pode dirigir os dois carros importados que tem na garagem. Você vai vê-los quando forem morar na casa nova...

* Mas, com razão, você está ansiosa e passa a insistir cada vez mais para conhecer o lugar onde vão viver. Ele acaba concordando e diz que no próximo sábado, irá levá-la pra conhecer a casa.

* Na sexta-feira, ele passa o dia inteiro sem atender suas ligações. À noite ele liga e, com uma voz bem baixinha, conta que sofreu um acidente e está todo quebrado no hospital.

- Que horror! Mas que hospital?
Ele não sabe.
- Mas o que você quebrou?
O braço. Não, a clavícula. Não, a coluna.
- Eu vou te ver!
Claro... ele vai mandar alguém leva-la até lá pela manhã.

* O dia seguinte passa e ele continua sem atender suas ligações. À noite, ele volta a ligar e diz que foi transferido para o hospital da aeronáutica, já que é militar aposentado. Não vale a pena você ir visitá-lo, porque o horário de visita é só de meia hora...

E você continua esperando...

Essa é uma história totalmente real. Bom, pelo menos o meu texto é.
O resto fica a seu critério. Eu apenas apresentei os fatos.

09 abril, 2006

Lá

Preciso voltar. Voltar para a alegria despretensiosa de um almoço de terça-feira e para o suspiro rosa de cada fim de tarde. Preciso passar os vinte minutinhos que me restam antes do ônibus sair, dentro do sebo poeirento que fica ao lado do museu das botas gigantes. Aquele lugar abarrotado de cima a baixo por livros improváveis, onde você não consegue dar dois passos sem esbarrar naquele que comprou Dom Quixote sem capa e naquela que tenta esconder os romances de banca de jornal atrás dos volumes I e II do Tratado Sobre Pteridófitas do Devoniano. Preciso voltar para as florzinhas amarelas esmagadas no chão da praça - As mesmas flores que me lembram de um enterro que nunca existiu na cidade que só existiu na mente do meu escritor preferido. Preciso voltar a encontrar o Poeta imortalizado dentro da estátua de bronze e na essência de cada verso de amor e saudade escrito por lá. Preciso voltar a caminhar nas ruas da Cidade Baixa que é o único lugar do mundo em que você ouve uma cantada bem educada de um travesti mal montado e ganha uma goiaba com gosto de faz-tempo do senhor que vende frutas e flores na esquina. É pra lá que quero voltar. Para ela. Para os navios sem dono e para a cúpula de cobre. Para os perfumes caros e para o cheiro de pipoca de cinqüenta centavos. Para relembrar e para esquecer. Para construir. Tentar de novo. Para fazer parte do encanto frágil da cidade que me conquistou para sempre.

Preciso voltar para Porto Alegre.


07 abril, 2006

Para eles...

"Uma mulher não suporta a idéia de ser igual a todas; ninguém suportaria. As mulheres não são unânimes; são discordantes entre si. Quantos idiomas morreram pela crença de que as mulheres são uma única mulher?"

Ele é um moço que sabe das coisas.

06 abril, 2006

Nunca tive um gato...

02 abril, 2006

Woodstock,

Meus escritores preferidos já não são mais os mesmos e as músicas que não saem da minha cabeça são outras. Conheci pessoas legais nos lugares mais inusitados e descobri que elas estão prontas pra fazer uma ligação por você, te oferecer um sorriso, um copo de água e embarcar nas suas neuroses com a maior naturalidade.

Estive nos lugares mais improváveis pra mim: Todo mundo me reconhecia pelo sotaque e mais cedo ou mais tarde acabavam perguntando se estava frio nessa terra que quase encosta os pés na Antártida, mas tem uma quedinha pelo clima de deserto tunisiano. Conheci seis cidades em 15 horas, estive no céu e no inferno no mesmo dia ("Céu" é literal, "inferno" não) e consegui me sair bem nos dois, porque tudo o que você perde indo parar em um lugar desconhecido, ganha em determinação pra enfrentar a ínfima porcentagem do mundo que espera que você se dê mal e coragem pra trazer pra perto do coração aqueles que realmente importam: Quem tem o poder de te fazer sentir inteiro.

Sei que ainda vale a pena, Woodstock. Ainda que você não seja mais tão amarelinho quanto antes e quase não consiga voar direito. Tem alguém aqui que não esqueceu aquele sorriso de quem vai crescer e se tornar adulto um dia. "Mas não hoje. Pra que a pressa, né?" Sim, eu sei que muita coisa mudou, mas aquela livraria nunca deixou de ser meu sonho de consumo, o livro de chocolate ainda me dá fome e, como sempre, a primeira frase dos meus textos só tem a função de me fazer começar a escrever e é sumariamente apagada quando chego na última linha. Sim, muita coisa mudou, mas o mais importante é que os meus olhos não mudaram pra pior só porque viram mais coisas.

A vida não gosta de te ver sossegada, você disse. E eu digo que se você quiser ser o meu “hopeless case”, eu topo a parada. E por um motivo muito simples: Você nunca deixou de ser meu amigo, Woodstock.

01 abril, 2006

Pra constar...

O post abaixo foi o centésimo desse blog, mas façamos de conta que ele não está ali e consideremos ESSE o 100° post.

Esquece, eu sei que você vai olhar ali embaixo, mesmo...

:P pra você.

Ninguém mais segue instruções nesse mundo-caos.



Apagado.


E não, adepto da teoria da conspiração, não tem nada a ver com a data.
Isso era só um post-idiota que não teve a mesma sorte dos outros-posts-idiotas e acabou indo pro lixo.
Insônia é horrível.
Eu-sei.



31 março, 2006

O “nunca desista” é um mito.

Coragem grande também é poder dizer chega.



Screamed at the make-believe, screamed at the sky
and you finally found all your courage to let it all go.

28 março, 2006

Sobre termos estranhos, gaitas, placas e placas sobre gaitas

- Existe o termo "cocacólatra" ?

- Alguém* leu o post sobre a minha mania de somar placas de carros e me mandou
isso. Acho que ele também me chamou de freak, por tabela. Mas não tenho certeza.

- Será que eu sou a única cidadã da região metropolitana que nunca imaginou teorias conspiratórias a respeito das placas "Gaita, conserta-se" que estão espalhadas por todas as ruas de Porto Alegre? Uns dizem que é um anúncio de clínica de aborto, alguns afirmam que é uma clínica de mudança de sexo e outros tantos dizem que por R$20,00 e um vale-transporte da Trensurb você faz tudo isso em menos de meia hora.

Ok, ok. Quem inventou essa última parte fui eu...



Propaganda é a alma do negócio.
Seja ele qual for...

26 março, 2006

Eu sei, eu sei...

A Gol não gosta de mim.

25 março, 2006

Estranho?

estranho:
adj., desconhecido;
que não é usual;
curioso;
singular;
extraordinário;
fora do comum;
descomunal;
admirável;
censurável;
repreensível;
livre;
isento;
s. m., estrangeiro;
que é de fora.

Ok, então é...

24 março, 2006

Descobri uma coisa
Nada pode dar errado se eu estou com ele.

Com você.
Ou com vc.
Te adoro.

23 março, 2006

Tarefa de Casa

As manias dessa mocinha...

1. Eu somo as placas dos carros
Se a viagem dura mais de 15 minutos e estou com a testa colada no vidro da janela com um olhar perdido, pode ter certeza: Estou somando as placas dos carros. Ex.: IGF 8096 = 8+0+9+6=23 (Essa mania está com os dias contados. Tenho uma viagem muito especial programada para Gramado e a última coisa que pretendo fazer é somar placas de carros).

2. Inviolabilidade do Arroz
Pra mim, o lugarzinho do arroz no prato do almoço ou do jantar é território privado e inviolável. Nada de profaná-lo com feijão por cima, ovo ou qualquer outra coisa. No lugar do arroz, só o arroz. E ponto final.

3. Não durmo com nenhuma parte do corpo pra fora da cama
Resquícios da época em que eu tinha 3 anos e um jacaré morava embaixo da minha cama. Não dá pra facilitar...

4. Lavo a louça metodicamente
Pra mim, lavar louça e secar são indissociáveis. Se eu lavo louça, eu mesma seco. E não pára por aí: Coloco os copos à direita, os pratos à esquerda e os talheres dentro da pia. As panelas, travessas e afins esperam sua vez sobre o fogão. Sempre.

5. Bom dia, Boa tarde e Boa noite não obedecem o horário de Brasília, e sim a estranha combinação entre o horário solar & o meu relógio biológico
Sendo assim, se o relógio marcar 20h no horário de verão e lá fora estiver o maior sol, nunca espere um "Boa noite" de mim. A noite só começa depois que o sol se põe. Assim como a tarde só começa depois do almoço e o dia seguinte só depois de uma bela noite de sono. Quer me ver desconcertada? Basta dizer "Bom dia, Dani" passados alguns minutos da meia-noite.

6. Se recebo uma boa notícia, qual a primeira ação?
Faxina. Sim, se acontece alguma coisa que me deixa realmente feliz, pego a vassoura, o aspirador de pó, o esfregão e me lanço a limpar alguma parte da casa. Não importando se a última faxina foi há dois dias. Difícil foi me convencer a não lavar a garagem às 22h, logo depois de voltar do hospital e ver o rostinho lindo do meu primeiro sobrinho.

7. Procurar inconscientemente um "ctrl+f" nos livros
Quantas vezes fiquei um bom tempo procurando uma frase, uma idéia interessantes num livro de mais de 500 páginas...

8. Não gosto de terminar listas com números ímpares...

Mas que seria uma boa idéia, seria...

20 março, 2006

O que é personalidade?

Procurando uma música desse "hipty hopty" pra minha irmã, acabei entrando na chat room do Black. Todas aquelas pessoas que conhecem Hip Hop, Black... Alguém saberia me dizer qual o nome da música nova do Snoop Dog. Nisso a janelinha pisca e aparece um simpático "oi". De quem? Um cara chamado "K!lled by Death". Respondo o oi e emendo:

Dani: Vc conhece a música nova do Snoop Dog? Tô procurando aqui e não acho...
K!lled by Death: ???????????????????
Dani: Não conhece?
K!lled by Death: nusssssss.... mas pq vc ta na sala do black?
Dani: Ahn... porque Snoop Dog canta black?
K!lled by Death: putzzzzzzzzzzz
Dani: Que foi?
K!lled by Death: A SALA É DE BLACK METAL!!!!!!
Dani: opa...
K!lled by Death: huahhuahuauahua

Sim, ele riu da minha trapalhada. E eu? Bom... é bem coisa da Dani, então já nem acho estranho... Ainda se contorcendo de rir, o "K!lled by Death" (sim, escrever isso é muito estranho...) me mostra uma maneira de encontrar a tal música que eu procurava e diz que, pra me redimir com o Deus Metal, preciso ouvir "For All Tid", do Dimmu Borgir (que pertence a um dos 21548463 tipos de metal que ele me explicou através desse site - quase certamente seu gênero musical favorito será achincalhado, mas leve na esportiva, ok?). Ouvi a música e disse que realmente era bem melódica, com uns aspectos que lembram música clássica (E é verdade!). Claro que omiti o fato de ter achado a voz do vocal igualzinha à voz do Esqueleto, do He-Man. E a letra? É... digamos que há um uso exagerado das palavras "sangue", "feridas", "enxofre"...

Mas uma coisa interessante, emblemática e até meio triste nisso tudo:

Dani: E por que metal?
K!lled by Death: eu era um pre adolescente infeliz e nerd
K!lled by Death: precisava de algo q me fizesse ser destacado
K!lled by Death: algo excentrico e incomum fora dos esteriotipos

K!lled by Death: eu era um nada
K!lled by Death: mas dpois q passei a ouvir metal eu criei uma identidade sabe?

18 março, 2006

Mandando a dama que existe em mim pro espaço
Esse blogspot é uma ¨&*%#!¢!

E...
Nas palavras do antigo chefe, sim: "Pode ser um problema na interface cadeira-teclado."

Pro dia nascer (ainda mais) feliz...

O sorriso monodente mais lindo desse mundo

17 março, 2006

Missivista revoltada
Absurdo o preço do sedex. Com mais dez reais quem ia pra lá era eu. De ônibus, não dentro do envelope.

Pra tudo, mesmo...
Professor interrompe a aula pra falar sobre Lost e deixa a turma inteira boquiaberta ao revelar que entrou no
Google Earth pra calcular a provável localização da tal ilha. Só faltou dizer que já estava providenciando o resgate do Sawyer.

Sim, você leu certo. Eu disse Sawyer.

15 março, 2006

Desventuras de uma vegetariana nascida na terra do churrasco

Almoço de domingo na casa da vó

- Deixa que a vó te serve. Ó, peguei esse pedaço de picanha pra ti...
- (coração apertado) Hmm... Primeiro vou comer essa saladinha, vó...
- Só T-O-M-A-T-E????
- (baixinho...) É...
- Mas essas gurias sempre de dieta... Por isso tá pálida desse jeito, tão bonita de corpo, agora quer ficar esquelética, vai pegar aquela desnutrição... aquela "aneuroxia"...
Vô, baixinho:
- Anorexia...
- Ah, mas tu sabe como chama, é? Então explica pra essa tua neta que eu não quero ter que catar ela com uma rede quando ela sair por aí voando, batendo ossinho...
- Vó, eu sou vegetariana...
- ...!?
Vô rindo baixinho.
- É... eu não como carne...
- Mas nem frango?
- Nem frango...
- E peixe???
- Nem peixe...
- Por quê?!

Com a amiga no supermercado comprando coisas para o lanche

- Ok, já temos pão de centeio, queijo e chá gelado. Tá bom, né?
- É... Dani! Vamos comprar uma latinha de atum! Sanduíche de atum, nhami!
- Eu sou vegetariana, lembra Lau?
- Mas é atum...
- Lau... o atum era um peixe antes de ir parar dentro da latinha...

Chefe engraçadinho

- Dani?
- Oi...
- Não come carne, né?
- Não.
- E ovo?
- Sim.
- Mas ovo seria um ser vivo...
- Mas não é, chefe. E mesmo que fosse ele não sofreria com a morte porque ainda não tem sistema nervoso central formado...
- Hmpf... é um ser vivo também...
- Chefe, pra ficar mais fácil: Eu não me alimento de nada que já teve olhos um dia.

Eu passo...

Ei, moço dos fantoches...


lálálá... sei de nada...

14 março, 2006

A distinção dos fatos é mais claramente perceptível em contato direto com suas antíteses...

"Hello, stranger"

12 março, 2006

Sunday

Depois de passar a manhã inteira calculando coisas esquisitas, almoçar um espeto corrido de alface (tum- tum-pssh, moço dos fantoches), voltar a calcular coisas esquisitas à tarde e quase dar de bandeja uns 2500 reais para um desconhecido qualquer, cheguei em casa e dei de cara com o dvd do "Closer".

11 março, 2006

A volatilidade das paixões

No ano passado, nesse mesmo mês, li "Cem Anos de Solidão", do García Márquez. Paixão absoluta. Um ano se passou e conheci Kundera...

Leia. Aprenda a refletir sua alma no espelho.

Não sou ciumenta.


10 março, 2006

Um prédio de muitos e muitos andares.

Vertigem...

04 março, 2006

Nunca tão livre...
Nunca tão facilmente identificável...
Nunca tão feliz por ser assim...
Nunca tão longe do que era de se esperar...

Calma. Subjetividade é só uma forma de percorrer o caminho levando o dobro do tempo.

24 fevereiro, 2006

Pra quem reclama...

Eu sei o que tá faltando aqui, eu sei... E não gosto de pressão.

21 fevereiro, 2006

É...

- "Curioso" virou opção sexual no Orkut.
- Você aprende com um chileno de 19 anos o que significa a palavra "kinesiólogo".
- Muitas pessoas realmente querem saber a sorte que o sapinho azul lhes reserva e outras tantas acreditam em testes psicológicos feitos por fadinhas. Ou vice-versa.
- Você entra no quarto e encontra sua vó fazendo o cadastro no site da Previdência com a maior naturalidade.
- Você é 80% confiável, 80% legal e 80% sexy. E precisa se conformar.
- Você passa a encontrar coisas como essa com uma freqüência assustadora.
- 1/3 do contato que você tem com seus amigos vai pelos ares se você esquecer uma combinação de caracteres.
- A cada três matérias de interesse geral no jornal, duas citam o Orkut como principal fonte de informação.
- "Vou te deletar do meu msn" é uma ameaça grave.

15 fevereiro, 2006

“Família ê, família á, famííília”

A campainha

Nossa casa tem uma campainha e o fato é que ela é tremendamente inútil, já que pra chegar na parede onde ela está instalada é preciso passar por um portão eletrônico e uma poodle adestrada desde filhotinho para saltitar e receber qualquer visitante com honras de chefe de estado. Essa campainha, (além de desnecessária) quando acionada, faz o barulho dessa obra ao lado da sua casa parecer a Nona Sinfonia. Mas ninguém se atreve a desinstalar ou trocá-la por um “blim-blom” mais inofensivo aos tímpanos: É muito engraçado ver o povo pulando de susto sempre que o meu vô vai até lá, disfarçadamente, e “BÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ”.

Frederico, o Peixe (carinhosamente conhecido como Fred, the Bad, Bad Fish)

Na tarde em que meu sobrinho nasceu, Frederico, o Peixe, morreu. Não ficamos desolados porque passamos a torcer o nariz pra ele desde que soubemos que o tal do peixe não permitia que outro par de barbatanas dividisse o aquário com ele a menos que o novo coleguinha virasse almoço. Quando percebeu que o Frederico estava assim... com cara de peixe morto, minha vó resolveu deixá-lo quietinho no aquário até o dia seguinte, para que a minha irmã (e dona do peixe) assinasse o atestado de óbito sem nos acusar de aproveitar que ela estava fora para dar cabo daquele peixe chato e anti-social.

A Enchente

19 horas. Dilúvio repentino depois de um dia lindo de sol. A quantidade de água que caiu em tão pouco tempo surpreendeu a todos e alagou as ruas. E nada da mãe aparecer. Foi o suficiente para a minha irmã começar a imaginar todos os infortúnios possíveis.

- Calma, Amanda. Olha lá na outra esquina. Ela tá chegando...


- Vou levar um guarda-chuva pra mãe... Pela minha mãe eu vou até o fim do mundo!

- Ah, é? Então tá. Eu e o meu pé quebrado vamos ficar aqui assistindo pela janela a tua incrível jornada...

Pegou um guarda-chuva, caminhou uns 10 metros pela rua e parou: Mais do que aquilo só enfiando os pés na água até os tornozelos. Olhou pra trás. Da janela, não resisti e gritei:

- Bah! Mas o fim do mundo é perto, hein?

De longe e no escuro não deu pra perceber claramente o sinal que ela fez. Acredito que tenha me mostrado o dedo médio, mas não tenho certeza...

Mestre de obras aposentado & Arquiteta amadora

Meu vô trabalhou durante vários anos liderando a construção de pontes para o DAER e hoje, aposentado, curte fazer “reformas” na casa como hobby. Difícil o dia em que não há uma porta nova, uma janela diferente ou um revestimento de outra cor sendo colocados. De acordo com a minha vó, precisamos ser gratas por ele ainda não ter conseguido projetar uma ponte pra passar por cima do gramado... O problema é que ele tem duas aliadas nisso tudo: Eu e minha inclinação pseudo-arquitetônica. Olho para uma parede e digo: “Acho que se a gente derrubasse essa parede, a cozinha ficaria mais ensolarada...”. Meu avô vibra: “Hmm... Acho que a tua vó vai gostar”. E no dia seguinte, comandando os mesmos operários da época das pontes, ele coloca a parede no chão, faz uma bancada bonitinha e ilumina a cozinha inteira para a minha vó, que prepara o almoço parecendo desaprovar a ex-parede, mas não consegue esconder um sorrisinho de moça que acabou de ganhar um presente do namorado...

Vó, bisneto, vô e a parede que não existe mais...

06 fevereiro, 2006

Sorte de hoje no Orkut: Faça apenas o que seu coração mandar.

Será que, enfim, estou recebendo respaldo?


Hmm... Não...

Sim!

04 fevereiro, 2006

Fazendo as contas...

Créditos do pé engessado:

Desconto na compra de um monitor novo.

Desconto na compra das uvas quase-vinho de Caxias do Sul.

Descobri que a louça suja desaparece da pia, sim.

Mimimi contínuo e incessante.

Meus recém-descobertos poderes telecinéticos.


Débitos do pé quebrado:

O pé engessado sua. Ainda.


Saldo: Negativo.


Felícia: Tô de mudança.
Dani: Girafas não falam! Nem as minhas.